quinta-feira, 9 de julho de 2015

A canção que nos pertence

Embora eu conte a história de uma amizade apenas, o texto a seguir é destinado a todos os meus amigos, em especial aos que se tornaram tais em nossa adolescência.

Nessa vida corriqueira com a qual nos acostumamos, há dias em que tudo parece desacelerar, sem mais nem menos, e um ar de nostalgia atinge em cheio o nosso peito. Respiramos com o ar pesado. Cada suspiro é uma lembrança diferente. E lembrar-se do que sente falta nunca é fácil.

Hoje foi um desses dias. Acordei no comum, mas isso mudou. Sem nenhum motivo especial, encontrei arquivos de vídeos antigos na internet, a partir de um ‘post de recordação’ da rede social, e passei da manhã à noite respirando memórias. Bom, talvez o meu subconsciente quisesse me lembrar de alguma coisa, um sentimento, uma escolha, um momento específico. Mas isso não passou de uma vaga hipótese durante todo o dia... Até que agora a pouco, a rede social (novamente) me lembrou de algo. Hoje é aniversário de um amigo. Um grande amigo do qual eu sinto bastante falta.

Thiago é um dos irmãos que a vida me deu a oportunidade de escolher. Esse amigo com quem já briguei, e briguei feio; com quem já chorei, sem que houvesse qualquer vergonha; com quem já disputei uma paixão na adolescência; com quem compartilhei (e fui) motivos pra rir, pra se chatear, pra explodir de raiva. Um amigo que fazia parte do melhor grupo de amigos de todos. Um amigo que virou personagem de livro e de série, junto a mim e aos outros. Thiago era o cara, embora eu jamais admitisse isso. O cara que era inspiração (não apenas pra mim) para sonhar, para ser um gentleman com as garotas (e galanteador haha), para refletir sobre o que é importante na vida. Esse cara que nunca teve medo de expor suas convicções, mesmo que se divergissem da maioria.


Sua amizade realmente é muito valiosa, e o mais inspirador nela é a forma como começou. Não é qualquer pessoa que você conhece e, de forma tão clara, Deus fala que essa amizade é um presente dEle... Como no livro de Samuel, capítulo 18, versículos de 1 a 5, onde Jônatas e Davi se tornam amigos. Bom, eu tinha 14 anos e ele 11 (mas agia e pensava como se tivesse mais). Nós nos conhecíamos há apenas algumas semanas e estávamos em um retiro da Igreja. Em um determinado momento, em que foi ministrada uma palavra específica a todo grupo que ali se encontrava, Deus me deixou bem claro que eu perderia algumas amizades pela escolha que eu estava fazendo em minha vida. E aquilo doeu. Pra caramba. Primeiro porque ninguém gosta de desfazer laços que, de alguma maneira, fazem bem, e segundo porque eu estava me tornando um adolescente, e com isso começando a desenvolver a técnica infeliz do acreditar que tudo durará para sempre. Enfim... Naquele mesmo momento, em que a verdade que eu soube me fez me sentir mal, Deus me trouxe outra verdade, da qual eu jamais me esqueceria: ‘Filho, não se preocupe, porque eu tenho o melhor para você. Você pode perder amizades das quais você gosta muito, mas eu tenho novos amigos para você, amigos que crescerão com você, e te ajudarão a se tornar quem Eu quero que você seja.’ E naquele momento, ao olhar para o meu lado direito, eu, que só estava naquela Igreja há algumas poucas semanas, pude ter a certeza de que um dia eu olharia para trás e saberia que pelo menos um amigo verdadeiro eu havia conhecido ali. Geralmente, um amigo encontra o outro, e muitas pessoas pensam ser destino, mas no nosso caso Deus presenteou nossa vida com um irmão de alma.

Caramba, eu não pretendia falar tanto! Mas histórias carregadas de verdade devem ser contadas. É por isso que escrevi um livro, enfim... Talvez só o post já seja um presente de aniversário pra esse cara que, eu mal posso acreditar, já está fazendo 23. E continua cantando a mesma canção, da mudança pela mudança, pelo prazer de viver, pelos dramas e comédias e aventuras e desventuras que só a escolha da mudança pode realizar. De qualquer forma, eu preciso concluir esse texto com uma reflexão que esse dia, e essas memórias, me trouxeram. 
  •      Então, cara, às vezes eu fico me perguntando o que foi que 'deu errado' no meio da história; qual o motivo de hoje ser tudo tão diferente do que era antes. Sabe, não só de como costumávamos ser, mas da forma como acreditávamos que tudo aquilo duraria. A gente vai vivendo e percebendo que grande parte das convicções que tínhamos na fase adolescente fica para trás com ela, ou amadurece em nós caso permitimos. E é impressionante o fato de que as coisas realmente passam, sempre mudam e simplesmente deixam de ser, sem que a gente nem mesmo perceba esse processo. Então, mais uma vez, fica a questão: Quando foi que essa canção começou? A canção da mudança. A canção que você sempre venerou; que eu sempre repudiei. Quando foi que nossos olhos se fecharam e não vimos mais o tempo passar, os amigos se afastarem e as coisas mudarem? Você, meu caro amigo, ensinou muita gente a dançar ao som da canção, mas talvez não tenha se dado conta e percebido o momento certo de parar a música para reaver os detalhes que haviam desaparecido. São muitos questionamentos que as lembranças trazem, mas elas também deixam uma certeza: Por mais que tenhamos nascido para cantar, de maneiras diferentes, a mesma canção; ainda que algumas notas sejam mais difíceis de serem alcançadas do que outras; mesmo que as letras se transformem com o tempo e a gente se perca em uma ou outra performance importante; eu sei irmão, nós sabemos, que ainda estamos juntos. E apesar da distancia, e das vidas tão diferentes, eu amo você, meu irmão!
"Você vai olhar para as suas fotos e perceber o quão vulnerável é. O tempo não é de ninguém, mas os relacionamentos que você constrói, sim."


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